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Porque vale a pena ler «Como Liderar Empresas Familiares», de Miguel Pina e Cunha, Arménio Rego, Alexandre Dias da Cunha e Filipe S. Fernandes
Grande parte das PME portuguesas é de família, e é nas sucessões, heranças e promoções que muitas se decidem. Este livro trata disso pelo lado da liderança: como juntar família e mérito sem destruir nenhum dos dois.
«Como Liderar Empresas Familiares» foi escrito por três professores universitários — Miguel Pina e Cunha (Nova SBE), Arménio Rego (Católica Porto Business School) e Alexandre Dias da Cunha — e pelo jornalista económico Filipe S. Fernandes, e publicado pela Lua de Papel em 2017, com prefácio de Alexandre Soares dos Santos.
O livro parte de perguntas que qualquer pessoa que trabalhe numa empresa de família reconhece: como se despede um filho que não está à altura? Como se afasta da gestão o fundador que criou o negócio, mas deixou de ser a pessoa certa para o dirigir?
O que o livro traz
- Dois lados da mesma empresa. Os autores analisam as empresas familiares pelo «lado solar» — as vantagens únicas de um negócio que cresce à volta de um grupo com objetivos e paixões comuns — e pelo «lado lunar» — as fraquezas próprias que podem arrastar a família para o fracasso. A leitura útil está em ver as duas coisas ao mesmo tempo: a mesma proximidade que dá lealdade e visão de longo prazo é a que torna difícil dizer que não a um familiar.
- Nepotismo e meritocracia. A pergunta central do livro é como combinar as duas coisas, em vez de fingir que uma delas não existe. Numa empresa familiar, a família vai ter sempre um lugar à mesa; a questão é em que condições e com que regras.
- Heranças, sucessões, promoções e rivalidades. São os quatro pontos onde, segundo os autores, nascem os conflitos que se tornam insanáveis — e que, nas empresas maiores, acabam nas manchetes dos jornais quando «estala o verniz».
- Liderança antes de estrutura. O foco não é jurídico nem financeiro: é a liderança e as contradições que enfrenta, incluindo a de equilibrar sentimentos com racionalidade empresarial. O livro combina números e investigação com histórias de empresas portuguesas e estrangeiras, e lembra que grupos como a Corticeira Amorim, a Jerónimo Martins, a Sonae ou a Viagens Abreu nasceram como empresas de família.
Porque interessa a quem lê a Atualidade
Grande parte das PME portuguesas é gerida por uma família, e é nesses momentos — a entrada da geração seguinte, a saída do fundador, a partilha depois de uma herança — que muitas delas se decidem. Para um promotor, o livro ajuda a preparar essas passagens antes de serem urgentes. Para um investidor, dá uma grelha para ler uma empresa familiar numa due diligence: quem decide de facto, como se escolhem os gestores, e o que acontece quando o fundador sair. São perguntas que pesam tanto no valor de uma participação como as contas.
Uma ressalva
O livro trata da liderança, não da parte legal. Numa sucessão real, as regras de transmissão de quotas por morte que constam do contrato de sociedade (artigo 225.º do Código das Sociedades Comerciais), os acordos parassociais e a partilha da herança têm consequências próprias, que nenhuma boa intenção entre familiares substitui. A leitura serve para preparar a conversa em família; o desenho jurídico dessa passagem deve ser feito com advogado.