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Quanto tem de vender para não ter prejuízo? O simulador de ponto de equilíbrio
Três números — custos fixos, preço e custo por unidade — chegam para saber quantas unidades tem de vender por mês para cobrir os custos. Útil antes de dar um desconto, contratar ou apresentar um projeto a investidores.
Antes de fixar um preço, aceitar um desconto ou contratar mais uma pessoa, há uma pergunta que qualquer PME devia saber responder de cabeça: quanto tenho de vender, por mês, para não perder dinheiro? O simulador de ponto de equilíbrio da Plataforma CoRe responde a isso com três números e é gratuito.
O que pede e o que devolve
Três dados:
- Custos fixos mensais — o que se paga haja ou não vendas: renda, salários fixos, seguros, contabilidade, licenças de software.
- Preço de venda por unidade.
- Custo variável por unidade — o que cada unidade custa a produzir ou entregar: matéria-prima, embalagem, comissões. É opcional.
Devolve a margem de contribuição (quanto cada unidade deixa para pagar os custos fixos, em euros e em percentagem do preço), o número de unidades por mês a partir do qual o negócio deixa de ter prejuízo e a receita mensal de equilíbrio. Se o preço não cobrir o custo variável, a ferramenta diz logo que não há ponto de equilíbrio possível, porque cada venda aumenta o prejuízo.
Um exemplo
Uma pequena padaria com 6.000 € de custos fixos por mês vende um produto a 12 €, que lhe custa 4,50 € a fazer:
| Valor | |
|---|---|
| Margem de contribuição | 7,50 € (62,5%) |
| Unidades por mês para o equilíbrio | 800 |
| Receita mensal de equilíbrio | 9.600 € |
Três decisões em que faz diferença
- Descontos. No mesmo exemplo, baixar o preço para 11 € (menos 8,3%) faz a margem cair para 6,50 € e o equilíbrio subir para 924 unidades, mais 15,5%. Um desconto pequeno no preço pede quase o dobro em volume. Vale a pena correr o simulador com o preço antes e depois de qualquer promoção.
- Contratações e novos custos fixos. Com a margem do exemplo, cada 750 € a mais de custos fixos por mês obrigam a vender mais 100 unidades. Para saber quanto custa de facto um trabalhador, com a TSU (contribuições para a Segurança Social) da entidade empregadora e os subsídios de férias e de Natal, a dá o número a pôr nos custos fixos.
- Projetos que vão a investidores. Um plano de negócios sem ponto de equilíbrio deixa o investidor a fazer a conta sozinho. Mostrar quantas unidades são precisas, e porque é realista vendê-las, é das primeiras coisas que se perguntam numa análise de um negócio.
Dois cuidados ao preencher
- Preço sem IVA. O IVA cobrado ao cliente não é receita da empresa, é entregue ao Estado. Se o preço entrar com IVA, o ponto de equilíbrio sai mais baixo do que a realidade.
- Vários produtos com margens diferentes. O cálculo assume uma margem constante por unidade. Com uma gama variada, use uma margem média ponderada pelo peso de cada produto nas vendas, ou corra o simulador para cada linha separadamente. A própria ferramenta deixa este aviso no resultado.
Uma ressalva
O ponto de equilíbrio diz quando as vendas cobrem os custos, não quando sobra dinheiro em caixa. Não inclui o reembolso do capital de empréstimos, os impostos sobre o lucro nem os prazos de recebimento de clientes. Uma empresa pode estar acima do equilíbrio e, ainda assim, ficar sem tesouraria. Para essa outra pergunta, quantos meses aguenta o saldo, existe o . Os resultados são estimativas com pressupostos simplificados e não substituem a análise de um contabilista ou consultor.
Porque interessa a quem lê a Atualidade
A maior parte das análises que aqui publicamos fala de alterações que mexem nos custos de uma PME: salário mínimo, contribuições, rendas, energia, taxas. O ponto de equilíbrio é a forma mais rápida de traduzir cada uma dessas notícias numa pergunta concreta: quantas unidades a mais tenho de vender por mês para compensar?